Será que vou terminar esse conto sem atrasar postagem??? \o/ Ok, desisti de "ilustrar" por hora, o tempo não me permite!
A história já está na reta final... se bobear mais uma parte e termino ela, vamos ver rsrs
Bom, comentários, por favor :D
O Templo de Mehara
Parte 5
Nem Neera nem Dómer sabiam o que estava acontecendo. Depois que Eirho recuperara a consciência e chamara a atenção das criaturas, a mulher havia sido devolvida ao buraco e o mago havia sido levado. Agora, aprendiz e mercenário estavam sentados lado a lado na escuridão, sem fazer a menor idéia do que estava se passando fora dali. Neera ainda tentara usar aquela ligação que tinha com o outro homem, mas agora não conseguia nem mesmo sentir se ele ainda estava vivo.
Foi com expectativa e apreensão que olharam para cima quando o alçapão foi aberto. Surpresos, os dois foram erguidos e levados para fora. As duas criaturas que Neera vira antes estavam diante deles, e Eirho estava de pé atrás do altar, ao lado de onde uma fogueira ardia em uma reentrância da parede. O alívio da jovem ao ver que o mago estava vivo logo se transformou em medo ao perceber sua expressão.
Antes que pudesse se virar para Dómer, uma faca brilhou na mão de uma das criaturas. Neera nem mesmo viu o movimento, apenas o sangue. Então o mercenário estava no chão, e a criatura fêmea lhe arrancava um dos dedos sem a menor dificuldade e começava a mordiscar aquilo e lamber o sangue como se fosse um petisco raro.
A garota conteve um grito, recuando sem nem mesmo ver para onde ia. Ela bateu na parede, as plantas trepadeiras arranhando suas costas, e ela começou a tatear seu caminho até a pequena abertura que havia naquele nível. As duas criaturas pareciam hipnotizadas pelo sangue, e Eirho não estava fazendo nada. Ela só teria uma chance, se quisesse sobreviver. Mas então o macho se virou para ela, um sorriso de predador cortando seu rosto. Ele se moveu como um raio, ela mal havia percebido e ele já estava diante dela, a segurando com uma força que destoava de seus membros finos.
- Eirho! – ela chamou, ainda com esperanças de que seu mestre fosse ajudá-la.
O homem apenas balançou a cabeça, sem sair do lugar. Foi então que Neera desistiu de lutar. O que poderia fazer? Era apenas uma aprendiz de maga, incapaz de controlar seus poderes. O que sabia de luta era menos que as noções básicas, aquilo que haviam lhe ensinado nos meses na estrada. Que chance teria contra aquelas criaturas? Podia se considerar morta e, pior que isto, uma refeição.
Mas a criatura ainda tinha outros planos para ela. Neera foi amarrada no altar que ocupava o centro daquele nível do templo. O tempo todo, Eirho permaneceu onde estava, sua expressão que era um misto de decisão e desespero só servindo para terminar de derrubar as esperanças da jovem.
Se debater não faria nada além de cansá-la. Gritar seria inútil. Sua magia ainda estava entorpecida por o que quer que houvesse ali. Ela não tinha como reagir. Com lágrimas silenciosas, ela assistiu enquanto as duas criaturas devoravam Dómer. Aquele que sempre havia tido paciência com ela, a garota que nada sabia sobre o mundo... Aquele que sempre a ajudara... Nada mais que carne.
Quando terminaram, se viraram para Neera. De onde vem o instinto de sobrevivência? Ela não sabia. Mas lutou como jamais imaginara ser capaz, gritando, mordendo arranhando, fazendo o que estava ao seu alcance para resistir. Inútil. Mais duas criaturas, dois machos, surgiram ali, passando pela pequena abertura que dava para a escada. Com a ajuda deles, ela foi colocada de pé, e a seguravam com tanto cuidado que era impossível se mover.
Lutando contra as lágrimas que insistiam em cair, ela se virou para Eihro, seu herói, seu mestre, seu amante.
- Você jurou. Quando me tomou como aprendiz, você jurou me proteger. Você jurou que não deixaria que o passado se repetisse. – sua voz tremia, e ela sabia, mas não se importava mais.
- Eu jurei. – ele concordou, uma expressão de dor atravessando seus olhos rapidamente. – Mas esta é nossa única chance. Não lute, por favor.
O olhar da garota se desviou para os restos ensaguentados que estavam no chão, tudo o que restara de Dómer. Como Eirho havia sido capaz de permitir aquilo?
- Você jurou. – ela tornou a falar, sua voz agora firme, com um toque de aço, a acusação facilmente reconhecível.
As lágrimas ainda desciam, silenciosas, e ela viu a fêmea se aproximar da fogueira ao lado de seu antigo mestre e pegar uma faca de punho e lâminas trabalhadas. Uma faca cerimonial, ela percebeu. Seu olhar tornou a se desviar para o homem, e os primeiros sinais da loucura estavam ali, para quem soubesse ver. Uma ameaça silenciosa. Ele a traíra, duplamente. E, de alguma forma, ela se vingaria.
A criatura se aproximou, colocando a faca perto de seu rosto. O calor que emanava da lâmina já era o suficiente para queimar, e ela fechou os olhos. Uma mão forte forçou seu olho esquerdo a ficar aberto, antes de fazerem o que pretendiam.
Eirho não abaixou a cabeça nem desviou o olhar. Ao menos isto, ele devia à jovem.
Neera gritou. Mas não havia ninguém ali para ouvi-la.
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