Uhuuuul ainda mantendo um post por semana! hehehe Bom, sem ilustração hoje que a preguiça falou mais alto (e a falta de tempo também).
E, de novo, comentários, por favor :D
O Templo de Mehara
Parte4
Eles haviam perdido a noção do tempo. Às vezes jogavam comida e água, mas os intervalos não pareciam ser regulares. Neera e Dómer cuidavam de Eirho como podiam, na escuridão. O homem tinha momentos em que parecia estar consciente, mas não conseguira dizer mais nada desde que fora jogado ali. O que teriam feito ao mago?
E então levaram Neera.
Ela não percebeu o que estava acontecendo até sentir o chão desaparecer sob seus pés. Era como se a estivessem levitando, embora a sensação fosse errada. Ela tentou conter um grito, sem sucesso, antes de passar pelo alçapão e este se fechar. A jovem foi colocada de pé, enquanto piscava furiosamente, tentando fazer com que seus olhos se ajustassem à luz mais rapidamente.
A primeira coisa que Neera percebeu foi que ainda estava no templo. Aquele outro sentido que os nascidos-magos possuíam permitiu que ela reconhecesse a atmosfera do lugar. Seus olhos começavam a aceitar a fraca luminosidade que havia ali, e ela percebeu que aquele só podia ser o último nível. As cores, até mesmo das plantas, eram escuras, como se a vida houvesse sido roubada do lugar. O chão era coberto por grama rasteira, e as paredes de trepadeiras. A única coisa ali, além do alçapão por onde havia sido içada, era uma grande mesa esculpida em um tipo de madeira escura, com veios mais claros, avermelhados. Um altar, a jovem percebeu com um sobressalto. Aquele nível do templo era dedicado à Morte. Neera conteve um arrepio, se virando.
Duas daquelas criaturas estavam atrás dela, seus sentidos já haviam lhe contado. Até então alguma parte no fundo dela havia duvidado do que fora dito, não havia nada em Dárian a não ser humanos e hidar. Mas aquele par não era nada que ela já havia visto ou sentido antes. Por seus padrões, ela diria que era um macho e uma fêmea, mas quem poderia dizer, lidando com algo completamente desconhecido? Eles tinham a pela de um tom cinzento-azulado, coberta de pelos curtos e brancos. Ambos tinham cabelos longos do mesmo tom, mas a figura feminina os usava soltos, enquanto a figura masculina os prendia em uma trança. Seus corpos eram bem feitos, quase perfeitos pelos padrões estéticos humanos, e eles estavam nus, embora nada que pudesse indicar seu sexo fosse visível. Seus olhos eram de um azul que beirava o índigo, completamente preenchidos pela cor.
A fêmea estendeu um braço que era fino e longo demais e passou a mão pelos cabelos de Neera, sem pressa, acariciando seu ombro e braço em seguida. Então, ela falou, sua voz soando de forma estranha, como se fosse mais de um som sobreposto.
- Esta será saborosa... Sua força não é como a deles.
A jovem se manteve imóvel, incerta sobre o que havia entendido, e se era esperado que compreendesse o que falavam. Imóvel por autocontrole ou por medo? Nem mesmo ela sabia.
O macho estendeu uma das mãos, passando uma unha longa e afiada no braço que a fêmea havia tocado. Ela nem mesmo sentiu o corte, mas o sangue escorreu, e ele recolheu um pouco na unha, provando-o como se saboreasse uma iguaria rara.
- Sim, ela é preciosa. – ele falou, sua voz soando daquela mesma maneira arrepiante.
Eirho se sentou subitamente, assim que o alçapão se fechou. Dómer precisou de um instante para registrar o fato, e então já estava ao lado do mago, ainda que sem saber o que fazer.
- Não, Neera não. Ela não merece isto! – o homem falou, pela primeira vez desde que fora jogado ali, sua voz soando rouca, mas com um desespero inconfundível.
- O quê, senhor? – perguntou Domer, sentindo o frio do medo pela espinha. O que poderia ter deixado um mago com o poder de Eirho naquela situação?
- O que eles pretendem fazer... Vai destruí-la!
A voz do mago tremia naquela última palavra, e este foi o único aviso que Dómer teve, antes de ser prensado contra o chão pelo poder cru que exalava do outro homem.
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