Primeiramente, quero agradecer a todo mundo que leu e comentou :D Nunca tinha colocado muita fé nessa idéia do Circo de Fogo, agora vou até continuar a história, posto mais alguma coisa dela em breve rsrsrs
E agora, para o próximo "trecho". Essa história começou inspirada na música Daughter of the Night, da banda Whyzdom (página de trilha sonora providenciada!), e também como uma forma de atender um pedido.
Ah, sim, comentários, por favor :)
(Trilha Sonora)
A mulher deu um passo à frente, e encarou o abismo que se abria diante de seus pés. Por um instante ela vacilou, recuando quando o vento ficou mais forte, jogando seus cabelos longos em seus olhos e fazendo com que se atrapalhasse com suas roupas esvoaçantes. Ela afastou os cabelos do rosto, deixando que seus olhos de um azul claríssimo refletissem o luar. Se alguém estivesse ali, teria visto em seu olhar todas as cicatrizes que seu corpo não mostrava. Ela encarou a lua, com uma expressão quase implorante, antes de balançar a cabeça, se repreendendo. Então ela olhou para trás, buscando algo entre as sombras, mas apenas suas memórias estavam ali. Ela sentiu o último vestígio de esperança desaparecer, e tornou a se aproximar do abismo.
Até mesmo o corpo e a mente de um imortal têm um limite do que podem suportar. E o abuso que eu vinha sofrendo já era extremo até mesmo para os deuses. Sim, eu sabia. Mesmo da masmorra onde eu estava acorrentada, quando eles sonhavam eu podia ter um vislumbre de suas existências. Para eles, eu não passava de uma lenda, uma história criada para passar seu tempo, pois nem mesmo um imortal seria capaz de suportar o que se dizia que a filha da Noite e da Magia estava sofrendo sem já estar irremediavelmente insano.
Eles não faziam idéia... O que se dizia que eu sofria apenas arranhava a realidade.
Sim, a filha da Noite e da Magia estava acorrentada nas masmorras mais profundas da Deusa da Noite, sendo torturada diariamente até além do que se imaginava ser possível suportar, apenas para esperar novos suplícios no dia seguinte. Já se perguntou onde a Noite passa seus dias? Pois agora sabe. Ela está nas profundezas de seu reino, trabalhando para fazer com que sua filha perca sua sanidade, e com isto seus poderes. Pelo menos, era ali que ela costumava estar, agora já não sei.
Meus sonhos me impediram de enlouquecer. Irônico, não é? Exatamente aquilo que minha mãe queria que eu perdesse o controle, foi o que me fez suportar todos aqueles séculos...
Quando a dor se tornava demais, eu me envolvia em meu poder, escapando para o Reino dos Sonhos. Eu não gostava dos sonhos dos deuses, eles me lembravam demais a presença de minha mãe, então passava por eles rapidamente, apenas buscando algo interessante, antes de saltar para os sonhos dos mortais.
Seus pequenos objetivos, ou até mesmo a ausência deles, me fascinavam. E sua imaginação peculiar me divertia. Suas lutas por glória e poder, seus jogos de interesse que chamavam de amor. Era tudo tão diferente do que se passava entre os imortais, que eu podia passar dias a fio ali, me deliciando com suas histórias insignificantes e me esquecendo do meu tormento.
Até o dia em que o sonho de um imortal chamou minha atenção. Ele ouvira minha hitória naquele dia, e agora pensava nela. Era interessante como, mesmo após tanto tempo em que a história era contada e aumentada, ainda não havia sequer imaginado a realidade. E, de alguma forma, ele sabia disto. Foi este fato que me fez prestar atenção em seu sonho. Quem era aquele imortal? Não era um dos Grandes Deuses, estes eu reconheceria no mesmo instante. Não, ele era um dos imortais menores, assim como eu, mas não fazia idéia de quem.
"Sei que é eral, Senhora dos Sonhos. Sinto sua dor."
As palavras chegaram até mim claramente, e eu tive certeza de que ele havia sentido minha surpresa. Como aquilo podia ser possível, depois de tantas eras? Alguém sabia que eu era real!
"Quem é você?"
"Sou aquele que controla as Emoções."
Filho do Fogo e das Águas, eu me lembrei imediatamente. Eu nunca havia prestado atenção nele, costumava estar distante dos reinos que circundam o Reino da Noite.
"O que sua mãe tem feito é inaceitável. Você deve ser libertada."
Ele tornou a falar, e eu controlei seu sonho, de forma que estávamos conversando cara a cara. Ele era alto, bem uma cabeça mais alto que eu, de pele bronzeada e músculos definidos, deixados à mostra pela ausência de uma camisa. Seus cabelos eram negros e ondulados, mais curtos que os imortais costumavam usar, e seus olhos verdes pareciam ver até as profundezas da alma. Uma aparência adequada, eu pensei, para alguém capaz de manipular qualquer emoção.
- Como? - eu perguntei. - Não passo de uma lenda para todos os outros.
- Não importa o que os outros pensam. Você será libertada. - a voz, grave e imponente, era sua voz real, e não uma projeção do sonho, como eu pensara inicialmente.
Por um único instante, eu me permiti ter esperança. Mas o que um dos imortais menores poderia fazer contra um dos Grandes Deuses? A Deusa da Noite não era um adversário qualquer, como eu havia aprendido bem jovem. Então, apenas o encarei, impassível.
- Quando amanhecer e tornar a anoitecer, você estará livre. - ele falou, se curvando, antes de desaparecer. Havia acordado.
Eu queria acreditar em suas palavras, queria esperar por ele na noite seguinte. Mas não podia. Não podia me dar essa esperança, porque sabia que, se ela se mostrasse falsa, eu enlouqueceria.
Haviam se passado poucas horas desde que a Noite partira, depois da sessão diária de tortura, quando senti que alguém que não deveria estar ali se aproximava. Então ouvi o ruído de correntes, aquela pessoa estava me libertando.
Eu tentei abrir os olhos, mas não vi nada. Não sabia se meus olhos ainda estavam fechados, ou se já não tinha mais a visão.
E então eu estava livre das correntes, e caí, sem forças para me manter de pé. Braços fortes me seguraram antes que eu tocasse o chão.
Foi a última coisa que senti antes da dor se tornar insuportável, e eu perder a consciência.
Mais um Best Seller ?
ResponderExcluirhahaha, acompanharei também...