Continuando a postar o conto...
A mudança realmente começou com o nascimento de uma criança, em Avird, que permanecia sendo a capital dos vinya. Mesmo estando no coração do território dáinrir, ainda era o lugar mais seguro que eles tinham. A mãe desta criança era uma mulher dos espaçoportos, e seu pai desconhecido. A mãe parecia acreditar que era um nobre ou alto-oficial, mas morreu antes de poder revelar qualquer nome, como costumava acontecer com estas mulheres. A criança, uma menina, foi chamada Miara Venasi.
Ainda na sala dos recém nascidos, coisas estranhas aconteciam ao seu redor. Quando chorava, o mesmo acontecia com os outros bebês, e quando adormecia, o silêncio era total. Os brinquedos dos quais o bebê não gostava se quebravam sem explicação, e todos que trabalhavam ali contavam da vez em que um homem tentara levar a criança, dizendo ter uma ordem real, mas tomou um choque inexplicável que o deixou desacordado. Mais tarde foram descobrir que a tal ordem real era falsa.
Mas nada daquilo foi levado a sério, e a menina foi enviada para um dos orfanatos militares. E então o nome Miara Venasi começou a se tornar conhecido.
Os orfanatos militares eram para onde aqueles que não tinham nenhuma família eram enviados. Fábricas de soldados, era assim que aqueles lugares eram chamados. As crianças enviadas para lá eram treinadas desde que aprendiam a andar, e sempre acabavam no exército, os melhores como soldados e oficiais, os não tão bons nas funções de apoio.
Com dez anos, Miara Venasi já havia vencido todos os campeonatos que aconteciam entre os orfanatos na categoria até doze anos. Sua habilidade com uma espada era digna das velhas histórias, e sua concentração era inabalável. Aos dezesseis anos, depois de vencer todos os campeonatos existentes em Avird, ela foi admitida na categoria de acesso ao exército, sendo aceita poucos meses depois.
Mas ela não era apenas um soldado comum. Ela tinha estranhas habilidades que diziam as histórias que haviam sido comuns entre os vinya muito antes da invasão dos dáinrir. Miara era capaz de controlar e manipular matéria e energia, algo que ninguém vivo jamais haviam visto. Estas habilidades a tornaram indispensável, mesmo ainda muito jovem. Rapidamente ela aprendeu a usar aquilo a seu favor em uma luta, passando a ser chamada de guerreira. Ela não era apenas mais um dos soldados do exército, ela se tornara muito mais.
Quando se tornou adulta, ela era provavelmente a pessoa mais respeitada entre os vinya fora da família real. Logo, Miara descobriu que podia controlar a matéria do seu próprio corpo e tomar outras formas, um tipo de disfarce que era impossível de ser detectado. Por anos, ela trabalhou para aperfeiçoar esta habilidade, até pensar estar pronta.
Pela primeira vez, os vinya conseguiam infiltrar um espião entre os dáinrir.
Mais uma vez, o crescimento dos vinya disparou. Miara roubava pesquisas, sabotava sistemas e ataques, e enviava tudo o que pensava ser útil para Avird. Por quase dez anos, ela agiu sem ser descoberta. Quando isto aconteceu, ela fugiu para Avird, depois de uma luta que os dáinrir jamais esqueceram ou perdoaram.
Miara Venasi foi uma das poucas pessoas em toda história dos vinya a quem foi oferecida uma dispensa do exército por serviços prestados. Ela aceitou, mas deixando bem claro de que se fosse necessário, se surgisse algum imprevisto, ela queria ser a primeira a ser chamada de volta para a ativa. E então, ela formou uma família.
Ela teve dois filhos, um menino e uma menina. O rapaz logo se tornou um exímio guerreiro, tão bom ou melhor que a mãe no manejo da espada, e com uma visão para desenvolvimento de novas tecnologias que era invejada. Ele também tinha aquelas estranhas habilidades, apesar de não tão fortes, e ele precisaria de toda uma vida para chegar aos pés da mãe. A moça, além de uma guerreira, embora não tão boa quando o irmão, era uma manipuladora ainda mais competente que a mãe, se é que isto é possível. Logo se percebeu que aquelas estranhas habilidades eram genéticas, certamente algo que havia ficado perdido no passado dos vinya, e que sempre seriam mais fortes nas mulheres, por algum motivo que não se deram ao trabalho de estudar.
A linhagem Venasi se consolidou entre os vinya, que viam aquelas estranhas habilidades como sua grande chance de vencer os dáinrir. Se uma única pessoa hábil nelas havia feito tanta diferença, o que seria um exército com diversas pessoas assim?
Com o passar do tempo, a linhagem se espalhou entre o povo, e as estranhas habilidades também, em maior ou menor nível. Toda uma tecnologia foi desenvolvida, baseada naquela manipulação de matéria e energia, e criaram artefatos que até então não estariam nem mesmo em suas imaginações.
Mais uma vez, os vinya estavam prontos para a guerra.
Desta vez, a luta foi equilibrada. Os dáinrir esperavam há anos por uma chance de destruir os vinya de uma vez por todas, e estavam preparados. Tarde demais os vinya perceberam que os dáinrir estavam muito mais fortes do que haviam previsto. A guerra não seria como esperavam.
Por anos, a luta se prolongou, no espaço e em terra, sem grandes avanços de nenhum dos dois lados. À medida em que os anos se arrastavam, os vinya perceberam que não seriam capazes de resistir por muito tempo. Sua população menor significava um exército menor, e a longo prazo aquilo faria a diferença. Era a hora de uma solução desesperada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário