
Havia inquietação no ar, eu podia sentir. Era como um cheiro indefinido, mas irritante, uma vibração em meus ossos. A guerra se aproximava. Em Imlas, o Império Vinya reunia todas as suas forças, trazendo para junto de si os povos que haviam permanecido à margem do poder central. Em Adennoi, a Senhora da Noite conseguira, pela primeira vez em eras, unir todas as raças daquele universo sob seu estandarte. E Ionessen... Nossas forças estavam preparadas. Apenas sua Imperatriz não estava.
Eu sou Sinara Zinne Táiran, duplamente descendente de Táiran, pela linhagem de Khandara Zinne e Láiara Táiran, desde a Queda. Imperatriz dos Dariat, suserana do Império da Noite, vassala do Império Vinya. Eu era aquela que deveria comandar Ionessen e Adennoi. Mas eu não era uma guerreira. Nunca havia sido. E agora a guerra estava à porta, e os três universos estavam unidos para tentar sobreviver.
Mas eu era da linhagem antiga, e lideraria meu povo até meu fim, mesmo não tendo o coração de uma guerreira. Agora, eu buscava ajuda no único lugar possível para mim: os registros antigos. As histórias das guerreiras da linhagem, minhas ancestrais. Foi assim que me deparei com o relato de Yanaen Zinne, narrado a um historiador de Adennoi, a respeito das guerras da Quarta Era.
Não sei o que é verdade ou exagero nas histórias da jovem rainha... Os relatos fiéis desta época estão inacessíveis, na grande biblioteca da torre de Linas, e já não existem mais Guardiões para abrir os portões da cidade negra e retirar o lacre da torre.
Esta é a história da Guerra da Liberdade, tal como foi contada por Yanaen Zinne nos anos que se seguiram à Era Negra de Adennoi, preservada por milênios na biblioteca da família real, em Zinne.
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